Era um dia calmo e ensolarado. Estava eu sentada no portão do meu prédio que se situa numa rua pacata de um bairro qualquer do Rio de Janeiro, remoendo o fato de ter inúmeras coisas para fazer e ainda assim, estar ali sentada, meio que esperando alguma coisa, meio que vendo a vida passar... Mas como consolo do universo, eis que chega uma vizinha para compartilhar daquela solidão e iniciar uma conversa qualquer como era de seu costume. Eu que nada tinha em mente, nem mesmo iniciativa alguma de falar qualquer coisa que fosse, estava bem por estar ali, e agora com a companhia dessa vizinha que gostava de conversar e contar histórias (afinal, ela é mineira, o que justifica um pouco).
Não demorou muito para que já estivéssemos a vontade sentadas ali naquele portão. A rua estava deserta, ninguém passava por ali e a conversa cada vez mais ganhava forças. Não me lembro muito bem sobre o que ela estava falando inicialmente, talvez algo sobre a faculdade, o que me lembrava que eu tinha uma pesquisa pra fazer. Foi quando então, começou a contar uma história tão bem detalhada que conseguiu me levar para um outro prisma. Começou assim:
"O espaço de tempo da história que eu vou contar agora é muito curto. Na verdade, tudo se passa em segundos, numa questão de olhares cruzados. A situação é passada a nível psicológico, construída na base do diálogo puro, sem muita movimentação."
Eu, que estava meio distraída, já prendi minha atenção na história. Ia imaginando conforme ela continuava a contar:
"Muitas vezes, na rotina do nosso dia a dia, não compreendemos certas sensações ou ideias momentâneas que possamos ter. Nossa mente pode fazer mil viagens sem que nem sequer demos conta. Na realidade, o que queremos mesmo é um mundo de possibilidades, onde uma mente altamente criativa comande tudo.
Enfim, a vida possui uma infinidade de possibilidades, com diversas combinações, comparadas aos números numa análise combinatória. Essa história fala mais ou menos disso.
Em um lugar vazio e iluminado, ao redor da natureza, dois jovens se abraçam. Os dois parecem muito apaixonados. Conforme o diálogo começa, nós podemos deduzir que ele se encontram ocasionalmente e mesmo assim, não tem muito tempo para ficarem juntos. O diálogo apresenta um valor psicológico e conforme os dois conversam, fica evidente que eles só existem na imaginação de um dos dois. Este alguém, no caso, a menina, pode dar vida aquela situação inconscientemente, toda vez em que ela vê o menino. Eles não se conhecem ou não se falam, mas são apaixonados um pelo outro, sem saberem que vivem um lindo romance. É por isso que toda vez que ela passa por ele, sente algo que não consegue explicar. Mas no fundo no fundo, sem saber que pensa nele, acha impossível, aliás, nem cogita a possibilidade de os dois ficarem juntos realmente."
Esperei por qualquer continuação que fosse, mas ela já havia passado o recado. Mais nada de tão marcante aconteceu naquela tarde, só no final algumas pessoas quaisquer que passaram apressadas em frente ao nosso prédio. Talvez para ilustrar aquela história...
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