sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Refugiemo-nos nos shoppings

Nestes dias incertos e inseguros, não é bom sair de casa. Lá fora quase sempre é escuro e triste. As pessoas não se arriscam a olhar nos olhos de quem lhes fala. Aliás, ninguém fala, somente uns poucos perdidos que ainda não compreenderam o esquema das ruas. E esse esquema é pra valer. É preciso estar atento, é preciso ser esperto. Ninguém vai dar uma trégua por você ser inexperiente ou sozinho. Todos estão sozinhos nessa. É preciso estar em alerta constantemente, ao contrário, a rua te devora.

Já que o problema todo é esse, não saiamos de casa! Ou melhor, saiamos, mas somente para irmos ao shopping. Melhor dizendo, refugiemo-nos nos shoppings! Lá tudo é agradável, iluminado, limpo, bem ambientado e... feliz. O esquema dos shoppings, no final das contas, é mais pesado do que o esquema da rua lá fora. Na verdade, não há muita diferença entre os dois, mas quem liga? Nada muda o fato de que a sensação que se tem, é que podemos realizar todos os nossos sonhos consumistas e limitados dentro daquele local igualmente limitado, propagado como um mundo a parte. E é um mundo aparte, mas para quê mesmo precisamos ter visão num mundo de satisfação aos sentidos? Ou vice versa?

Não há nada melhor do que sentir-se seguro. E esta segurança, os shoppings estão plenamente dispostos a fornecer aos seus clientes que passivamente aceitarem suas invisíveis imposições, disponibilizadas por seus modelos comportamentais (que não vêm ao caso agora). Aliás, nada disso vem ao caso. Percamos nossa visão, mas nunca nosso cartão de crédito. Não temos pra onde correr, se o tivemos um dia, desprezamos esta chance.

Mas afinal, quem liga? Shoppings são sempre tão tranquilos...


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