quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Nada como... vizinhos!

          Dia desses, em uma tarde ensolarada e tranquila, estava eu a sair de casa com destino a um lugar qualquer quando a vizinha do prédio a frente chega até mim quase que atordoada, com um olhar de quem desesperadamente pede ajuda:
          - Meu namorado sumiu faz mais de 2 dias! Não atende o celular, não atende o telefone de casa e nem retorna ligação alguma! Eu não sei o que houve!!
          Por alguma razão que eu desconheço, a vizinha, em seu ato de desespero, veio a desabafar comigo naquele momento. Porém, qualquer coisa que eu falasse seria então a minha primeira palavra além de "Bom dia", "Boa tarde" ou "Boa noite" dirigida a essa moça quarentona, cabelos descoloridos, cigarro na mão e dona de um apartamento com vista privilegiada ao meu prédio.
          Tentei me situar por um momento, ignorar o fato de estar com um pouco de pressa e ajudar aquela pobre alma:
          - Mas vocês se falaram antes disso? Ele disse alguma coisa?
          Como se ela precisasse apenas de alguém para lhe dar atenção, aproveitou-se de meu aparente interesse em solucionar seu mistério e continuou:
          - Nós nos falamos na quarta a noite, ele disse que ia passar aqui de tarde para ver o negócio da minha moto mas não veio e nem ligou! Eu ligo pra lá e ele não atende, já deixei milhões de recados...
          - E você não tem o telefone de alguém que o conheça? (não vou nem perguntar sobre msn, orkut...)
          - Eu deveria ter o telefone do filho dele, aí eu poderia ligar - pensativa - e o telefone da venda ao lado da casa dele também. Eu poderia perguntar se eles o viram. Mas não sei o número!
          - E você não pode ir até lá?
          - É... eu estava pensando em ir amanhã se eu não conseguir falar com ele... Eu fico tão preocupada!
          Pobre vizinha, estava aflita. Já nem tinha mais unha pra roer, e só naquela conversa, já havia fumado uns 3 cigarros seguidos. Só Deus sabe o que haveria de ter acontecido ao seu namorado. Lembro-me de tê-lo visto algumas vezes de longe, mas só me lembro dele por causa de seu cabelo comprido e aparência hippie, que me chamaram atenção. Se eu bem deixar minha imaginação flutuar, consigo visualizá-lo sentado num barzinho bebendo cerveja e assistindo a jogos de futebol, sem noção do quanto está fazendo sua namorada sofrer. Homens!
          - Me desculpe por estar desabafando com você. Você deve estar com pressa para fazer as suas coisas!
          - Não não! Não tem problema, eu só gostaria de poder ajudar.
          - Muito obrigada! Você é uma boa menina!
          Sorri. Ela sorriu. Foi pra casa e eu fui para sei lá aonde sem importância.
          No dia seguinte, quis saber se já havia aparecido o tal namorado, mas estava com vergonha de tocar em seu apartamento. Sempre escolhi manter a minha privacidade e a dos outros, ainda que tivesse de passar por mal educada ou desinteressada certas vezes. Resolvi então, deixar de lado essa história e esperar por qualquer dia desses em que nos esbarrássemos na rua novamente.
          Alguns dias depois, estou eu me arrumando novamente para sair, quando chega minha mãe, super interada das últimas notícias do bairro e vem com essa:
          - Soube do namorado da loira da moto aqui da frente? ("loira da moto", nem sabia que este era seu apelido) Então, ele foi parar na delegacia por fumar maconha semi-nu numa praia lá pros lados de Guaratiba. A polícia ainda apreendeu uma enorme plantação de maconha dentro do apartamento dele para uso próprio.
          Fiquei boquiaberta com a história do namorado hippie da vizinha loira daqui de frente. Quer dizer... o cara plantava maconha dentro do apartamento e resolveu do nada sumir por alguns dias levando apenas umas roupas de baixo e muito fumo? E ainda deixa a namorada desesperada sem saber o que aconteceu. Tem cada gente doida no mundo... e o pior, mais perto do que a gente imagina!
          Deixei essa história toda de lado, é o melhor que eu faço. Terminei de me arrumar e saí. Quando estou andando, quem eu vejo adiante, caminhando em minha direção? A tal vizinha!
          - Boa tarde! - disse com um enorme sorriso.
          - Boa tarde! - respondi, passando direto sem muito alarde.
          É... o melhor que se tem a fazer mesmo é ficar só no "Bom dia" "Boa tarde" com quem não se conhece. Sabe-se lá quem são nossos vizinhos...

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